15 novembro 2008

Aquapaisagismo - Conceitos


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Aquascaping ou Aquapaisagismo
Aqua: referente a água ou ambiente aquático
Paisagismo ou scaping: [SM] (Paisagem + Ismo) 1. representação de paisagens pela pintura ou desenho. 2 (arquitetura): estudo complementar da arquitetura que consiste nos processos de preparação e realização de paisagens.
Portanto, juntando os dois radicais, teremos, por definição:
Aquapaisagismo: Representação de paisagens dentro de ambientes aquáticos. Envolve também, além da elaboração destes ambientes, a sua correta manutenção, afim de atingir os melhores resultados possíveis, dentro de um planejamento pré existente.

O paisagismo, como um todo, pode ser dividido em algumas tarefas, que detalharemos a seguir:
  1. Hardscaping
  2. Planejamento de flora
  3. Planejamento de fauna 
Explicação detalhada dos itens acima, segue:
  1. Hardscaping:
Hardscaping é o planejamento do posicionamento dos materiais inertes, destinados à decoração do aquário. Em aquarismo plantado (Nature Aquarium), são utilizados rochas e madeiras. Considerado o esqueleto do aquário, o hardscaping proporciona ao tanque a noção de profundidade, podendo ser o divisor de planos, ou mesmo o ponto de destaque do aquário, e, em geral, é o que difere um aquário saudável de um aquário bem planejado.
O hardscape pode ser dividido em algumas sub –categorias, de acordo com o material a ser utilizado: madeiragismo, quando se usa madeira, pedragismo para rochas, ou ainda um hardscape misto, utilizando tanto rochas quanto madeira.
1.1 - Madeiragismo
No madeiragismo, como o próprio nome sugere, utiliza –se tocos e raízes de madeira como material decorativo. Neste tipo de hardscaping, é muito desejável a utilização de galhos ou troncos de base sólida mas com ramificações. Este tipo de material é relativamente difícil de ser encontrado em lojas, demandando um certo trabalho ao aquarista.
Como esse tipo de tronco ainda é muito complicado de ser encontrado nas lojas, é comum o uso de alguns artifícios, como por exemplo: compra –se diversas peças com uma única ramificação (ponta) e uni –los de forma a gerar um único arranjo, mais satisfatório.
Para a junção, utiliza –se materiais inertes, como lacres plásticos, ou linhas que não se decompõe, como o nylon, por exemplo. (Os desenhos abaixo são vetorizações de madeiragismos criados por mim, com pelo menos 4 peças cada um...)
Exemplos:
No caso acima, usei uma quantidade de troncos que sozinhos, não obteriam resultado desejado, sendo simplesmente tocos de madeira... ao uní -los e direcioná -los, consegue -se um efeito bem melhor. O layout pretendido é o de ilha, com base em plantas lentas e de média iluminação. A base do layout seria feito com Blyxas ou ainda Cryptocoryne wendtii, de modo a criar solidez no aquário. entre os troncos, na base, algumas Microsorum, fechando este "buraco" central (localizado no ponto focal, é para ser o destaque do aquário); ao fundo algumas Cyperus helferi crescendo e deitando sob a coluna d'água fechariam o layout. Um carpete de Eleocharis minima seria benvindo, apenas para completar o visual mais "wild" do tanque.

Outro paisagismo wild, desta vez em triângulo... são praticamente as mesmas peças, desta vez com um arranjo diferente, mas com a mesma idéia... note que este arranjo possui mais base, sendo menos necessário um trabalho com plantas para disfarçar a posição dos troncos. Do mesmo modo, o jeitão do aquário seria o mesmo, com alguns fetos, carpete de mínimas e alguma planta ao fundo, complementando o paisagismo.

Alguns troncos podem ainda boiar, o que não nacessariamente é um impeditivo para o seu uso no aquário, Pode –se amarrar ao mesmo uma pedra para que o mesmo mantenha –se no fundo do aquário, até que se encharque.
Requisitos para o uso do tronco:
  • alta densidade
  • não soltar seiva
  • não usar troncos verdes
  • evitar madeiras moles (rápido apodrecimento do material)
Evitar:
  • Troncos com cortes muito grandes
  • Cortes aparentes
  • Troncos muito largos ou altos
  • Tocos
1.2 – Pedragismo
Assim como no madeiragismo, o pedragismo tem um nome auto –explicável, ou seja, usa –se apenas rochas na ornamentação. Em linhas gerais, busca –se criar um ambiente com vários níveis, utilizando rochas com tamanhos e/ou formas diferentes, com posicionamento distinto.
Recomendações gerais
  • Utilizar sempre rochas com a mesma padronagem
  • Evitar rochas redondas
  • Evitar pedras do mesmo tamanho
Levando –se em consideração o conceito de aquapaisagismo, pressupõe –se que o aquário seja um pequeno pedaço da natureza ou que remeta a uma paisagem natural. Portanto, imagina –se que as rochas encontradas neste local sejam sempre da mesma padronagem (mesmo material, origem e composição).
Esteticamente, o uso de pedras arredondadas é desaconselhável, pois dificulta na criação de layouts, pois com a ausência de arestas a triangulação é particularmente complicada. No entanto, há possibilidade de criação de bons paisagismos utilizando rochas arredondadas, mas sempre com um grau de dificuldade bem maior, e utilizando sempre desníveis de substrato e também um outro ponto de destaque.
Pelo mesmo motivo, rochas do mesmo tamanho não são aconselháveis, pois a triangulação é praticamente impossível. Outra razão é que ao serem enfileiradas, criam um efeito de paredão, criando pontos de tensão desnecessários.
Exemplos:
Neste desenho (outra vetorização brilhantemente criada pela Xan, de uma foto de um aquário que estou montando neste momento), percebe -se que o tamanho das rochas foi uma das minhas preocupações... além disso, a variação de altura e posicionamento das rochas cria planos distintos, que serão completados com a textura das plantas, em breve... algumas pedras aparentemente soltas são utilizadas para criar pontos de alívio de tensão, bem como melhorar pequenas imperfeições de encaixe das rochas... em especial na parte frontal da rocha, onde não haverá plantas...
Textura e linhas das pedras são importantes, também, pois elas remetem aos pontos de interesse que você deseja mostrar no aquário... no caso acima, utilizei as pedras de modo que formassem um V, salientando o paisagismo final... além disso, o plano original é que as plantas para quais as linhas de ranhuras das rochas apontam tendem a ser destaque no paisagismo. Mesmo na vetorização, dá para notar que as ranhuras apontam para fora, efeito que será complementado com um correto trabalho de poda nas plantas, futuramente.

Neste caso, a disposição das pedras é mais esparsa, mas igualmente trabalhada... este é um aquário menos óbvio, que demanda uma certa imaginação do aquarista... o conjunto central está sobre o ponto focal do aquário, e dentre as pedras menores, haverá pequenas pedras recobertas por Weeping moss (Vesicularia ferriei) e logo antes da rocha maior, uma moita de Pogostemon helferi; ao fundo, uma moita sólida de Rotala sp. ceylon com alguns ramos de Ludwigia arcuata, apenas para dar um certo tom de vermelho.... atrás do conjunto à esquerda do aquário, um carpete (apenas na parte traseira do tanque) de Eleocharis accicularis mesclando com E. minima mais à frente, para não ter um efeito de paredão, e suavizar a queda até o substrato... porfim, entre as rochas frontais e algumas laterais, pequenas moitas de Hemianthus callitrichoides terminam o layout....
Sobre o hardscaping, diferente do aquário anterior, estas rochas quase não possuem ranhuras e relevos e o que direciona o layout é o relevo feito no substrato e também a própria inclinação das rochas (suave). O fator realmente determinante neste tipo de aquário é o trabalho de poda feito nas plantas, e a escolha das mesmas.
Este aqui é um clássico exemplo de iwagumi. Pode ser descrito como um misto dos dois aquários anteriores... neste exemplo, tanto ranhuras quanto inclinação são indispensáveis para que o aquário demonstre todo o potencial visto na hora da execução. Uma boa iluminação também ajuda muito, em especial na hora de fotografar, criando efeitos de luz e sombra, que ressaltarão os desenhos das rochas... o interstício entre as rochas será tomado por Pogostemon helferi, e ao fundo, algumas mudas de Valisneria nana contrastarão com o carpete não completo de Hemianthus callitrichoides.
Requisitos para a rocha servir para o aquário:
ROCHA INERTE: a rocha para aquários (em especial plantados) não pode alcalinizar a água do aquário. Um bom teste é pingar algumas gotas de ácido ou acidificante no ato da compra. Se a mesma borbulhar, invariavelmente será inútil para o aquário, pois alterará o pH do aquário.
Notas sempre importantes:
  • Rochas não devem nunca ficar semi enterradas: explicando melhor, nenhuma rocha deve ficar com a base delas mal enterradas... além de ficar esteticamente incorreto, vale lembrar que na natureza, o que se vê é que o substrato não é completamente estático, ou seja, ele se desloca e acaba cobrindo a base das pedras.
  • As rochas que ficarão inclinadas SEMPRE devem possuir uma base... de novo, recorrendo à natureza: a água está sempre em movimento, e com certeza, não chovem pedras, ainda mais pedras grandes... ou seja, para uma pedra ser encontrada em inclinação, ou há uma pedra embaixo, apoiando a mesma ou houve ação da erosão "comendo a base" da mesma...
1.3 - Hardscape Misto
Sem dúvida, o tipo de hardscaping mais visto atualmente. Esta preferência é facilmente explicável, pois:
  • Há mais possibilidades de criação
  • Complementação de elementos
  • A ausência de um dos materiais (tronco ou pedra) pode ser suprida por outro
  • Ausência (quantidade) de bons materiais, mesmo em lojas especializadas
Quando se trabalha com ambos os materiais, cria –se mais possibilidades de criação de bons aquários, pois um dos elementos pode suprir as carências de outro. Por exemplo: quando se tem troncos sem base, pode-se suprir este “buraco” com a colocação de rochas na base do arranjo
Outro motivo para que o aquário de hardscape misto seja tão difundido é porque há uma grande dificuldade de encontrar troncos e rochas de qualidade no mercado aquarístico brasileiro.

No desenho acima (um cubo de 23cm de lado), percebe -se bem o que eu estava falando a respeito da base do layout. O tronco em si, tem um desenho muito bonito, mas a sua base era muito feia, e enterrá -lo até o ponto que a base ficasse aceitável era praticamente impossível. A saída foi a utilização de pequenas rochas para criar uma base mais sólida e bem mais atraente, sem cortes ou reentrâncias abruptas. Dado o diminuto tamanho do aquário, utilizar o subterfúgio de plantas como base seria praticamente impossível, sem comprometer todo o paisagismo e denunciar o real tamanho do mesmo.

Outro hardscape misto, desta vez com ênfase no tronco (uma pequena raiz). Sozinha, era uma peça que estava jogada em um canto do meu escritório... com o correto posicionamento, e as pedras em volta, o aquário ficou bem mais natural, e com as plantas corretas, dará um bom paisagismo... neste aquário, estava pensando em carpete de Utricularia graminifolia, Valisneria nana ao fundo e um pouco de musgo (ainda a definir) entre as rochas e em alguns pontos do tronco.

Algumas dicas importantes, quando se fala de hardscape:
  • Sempre que encontrar uma boa peça em alguma loja, adquira –a. Com certeza ela será útil no futuro
  • procure pedras em vários locais. Algumas boas opções são marmorarias, pedreiras e lojas de jardinagem.

Enfim, este é um manualzinho básico em relação ao planejamento do seu hardscaping... aconselho fortemente a quem estiver lendo o blog que faça alguns desenhos, trabalhe sempre fazendo alguns sketches e principalmente, colecione fotos, revistas, artigos, livros e fotografe sempre que achar alguma paisagem interessante...
Apenas para ilustrar o que estou falando, aqui está uma foto de um lugar que visitamos, no litoral de São Paulo, e que poderia render um excelente pedragismo!!








Como eu escrevi no começo do artigo, este é apenas o primeiro da série de três... em breve, escreverei um pouco mais a respeito de planejamento de fauna e de flora do aquário, ok?
Abraços a todos.
Reinaldo

4 comentários:

marcos.ricardo.br@gmail.com disse...

Excelente! Principalmente a parte que não chovem pedras! AheHEuahea

Abrasssssss

Alfredo disse...

Boa Rei..

Como sempre mandou muito bem!!!!


Abraço!

engcustodio disse...

Vou querer ler todos!

Rene disse...

Excelente!

Muito bem escrito,claro e objetivo.

Estarei aguardando ansioso os próximos artigos.

parabéns!